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24 de junho de 2013

Fundamentalismo religioso: uma doença mental?

Eu li hoje em um link da Revista Galileu, sem muitos detalhes, que uma pesquisadora da Universidade de Oxford chamada Kathleen Taylor disse que um dia o fundamentalismo religioso poderá ser considerada uma doença mental e poderá haver cura para essa patologia. Detalhezinho básico: ela não quis se restringir ao infame fundamentalismo islâmico, cujas práticas e ideologias são geralmente fáceis de serem condenáveis (como os atentados suicidas a bomba e o extremo rigor machista, por exemplo) ou no mínimo causam estranheza. Pessoalmente, eu achei isso interessante.

Pode ser uma frase polêmica e talvez pessoas mais religiosas irão contestar duramente as palavras dessa cientista, mas se você pensar bem, não existem exercícios religiosos que parecem provocar uma lavagem cerebral nos “fiéis”? Posso estar mexendo em um assunto para lá de delicado, mas acredito que determinadas formas de vivenciar a fé também podem prejudicar o ser humano e a sociedade sob pretextos fanáticos. Talvez o maior exemplo disso seja o simples fato de querer impor suas crenças em detrimento de outras (incluindo o ateísmo e o agnosticismo), mesmo que isso signifique “influenciar” a população a se comportar e pensar da maneira “certa”. Já li uma citação que dizia o seguinte: uma coisa é você achar que está no caminho certo. Outra coisa é você achar que o seu caminho é o único.

Transcrevo aqui um parágrafo que li sobre a notícia e julgo ser importante para a reflexão: 

“Alguém que se tornou, por exemplo, radical em relação a uma ideologia - podemos deixar de ver isso como uma escolha pessoal resultante do puro livre-arbítrio e podemos começar a tratar isso como algum tipo de distúrbio mental”, disse a pesquisadora. “De várias formas isso pode ser uma coisa muito positiva porque sem dúvida as crenças em nossas sociedade podem provocar muitos danos.”


As pessoas têm muito a aprender sobre como saber lidar e conviver com a diversidade sem querer doutrinar o próximo ou entender que é “melhor” do que fulano. Além disso, é convenientemente fácil apontar os defeitos e fraquezas alheias segundo seu próprio caleidoscópio de julgamento pessoal. Mesmo entre diferentes religiões, é comum enxergar uma rivalidade acirrada sobre quem está “certo” e o desprezo pela crenças dos outros, sempre procurando a “supremacia religiosa”.

Nesse mês, a Comissão de Direitos Humanos, presidida pelo deputado Marcos Feliciano, autorizou o fim da proibição, pelo Conselho Federal de Psicologia, de tratamentos com o intuito de reverter a homossexualidade (essa estupidez precisará ser submetida a outras votações em outros quóruns para ter validade prática). Isso é popularmente denominado como a suposta “Cura Gay”, embora nem mesmo a OMS (Organização Mundial de Saúde) considere que o homossexualismo seja uma doença há duas décadas. É perceptível que existem indivíduos que desejam perpetuar suas crenças a todo custo, mesmo que isso interfira na vida de outros de maneira cruel. Eu não tenho ilusões a respeito das motivações por trás dessa iniciativa. Quem acha que ela pretende ajudar os gays, é cego ou muito ingênuo, pois em tempos em que o casamento civil entre os mesmos sexos é permitida – e ninguém tem nada a ver com isso – essa iniciativa, se for vingar, só vai alimentar o preconceito.

Em tempos de manifestações constantes, o assunto acima já serviu de pauta. Precisamos ficar atentos o tempo todo a respeito de pessoas que não sabem ser moderadas com algum bom senso e humanidade e não pretendem preservar o que é “diferente”. Radicais tendem a eliminar a liberdade coletiva e a fomentar conflitos perigosos em defesa de suas ideias. Em última análise, acho importante (ou prudente) que mesmo o fiel não seja um simples receptáculo vazio de ensinamentos e crenças tornando-se uma marionete em mãos “sagradas” sem fazer uso de consciência, livre raciocínio e análise crítica.

Até mesmo o Pinóquio procurava fugir de sua natureza artificial e inanimada...