Eu li hoje em um link da Revista
Galileu, sem muitos detalhes, que uma pesquisadora da Universidade de Oxford
chamada Kathleen Taylor disse que um dia o fundamentalismo religioso poderá ser
considerada uma doença mental e poderá haver cura para essa patologia.
Detalhezinho básico: ela não quis se restringir ao infame fundamentalismo
islâmico, cujas práticas e ideologias são geralmente fáceis de serem
condenáveis (como os atentados suicidas a bomba e o extremo rigor machista, por
exemplo) ou no mínimo causam estranheza. Pessoalmente, eu achei isso
interessante.
Pode ser uma frase polêmica e
talvez pessoas mais religiosas irão contestar duramente as palavras dessa
cientista, mas se você pensar bem, não existem exercícios religiosos que
parecem provocar uma lavagem cerebral nos “fiéis”? Posso estar mexendo em um
assunto para lá de delicado, mas acredito que determinadas formas de vivenciar
a fé também podem prejudicar o ser humano e a sociedade sob pretextos
fanáticos. Talvez o maior exemplo disso seja o simples fato de querer impor
suas crenças em detrimento de outras (incluindo o ateísmo e o agnosticismo),
mesmo que isso signifique “influenciar” a população a se comportar e pensar da
maneira “certa”. Já li uma citação que dizia o seguinte: uma coisa é você achar
que está no caminho certo. Outra coisa é você achar que o seu caminho é o
único.
Transcrevo aqui um parágrafo que
li sobre a notícia e julgo ser importante para a reflexão:
“Alguém que se tornou, por exemplo, radical em relação a uma ideologia
- podemos deixar de ver isso como uma escolha pessoal resultante do puro
livre-arbítrio e podemos começar a tratar isso como algum tipo de distúrbio
mental”, disse a pesquisadora. “De várias formas isso pode ser uma coisa muito
positiva porque sem dúvida as crenças em nossas sociedade podem provocar muitos
danos.”
As pessoas têm muito a aprender
sobre como saber lidar e conviver com a diversidade sem querer doutrinar o
próximo ou entender que é “melhor” do que fulano. Além disso, é
convenientemente fácil apontar os defeitos e fraquezas alheias segundo seu
próprio caleidoscópio de julgamento pessoal. Mesmo entre diferentes religiões,
é comum enxergar uma rivalidade acirrada sobre quem está “certo” e o desprezo
pela crenças dos outros, sempre procurando a “supremacia religiosa”.
Nesse mês, a Comissão de Direitos
Humanos, presidida pelo deputado Marcos Feliciano, autorizou o fim da
proibição, pelo Conselho Federal de Psicologia, de tratamentos com o intuito de
reverter a homossexualidade (essa estupidez precisará ser submetida a outras
votações em outros quóruns para ter validade prática). Isso é popularmente
denominado como a suposta “Cura Gay”, embora nem mesmo a OMS (Organização
Mundial de Saúde) considere que o homossexualismo seja uma doença há duas
décadas. É perceptível que existem indivíduos que desejam perpetuar suas
crenças a todo custo, mesmo que isso interfira na vida de outros de maneira
cruel. Eu não tenho ilusões a respeito das motivações por trás dessa
iniciativa. Quem acha que ela pretende ajudar os gays, é cego ou muito ingênuo,
pois em tempos em que o casamento civil entre os mesmos sexos é permitida – e
ninguém tem nada a ver com isso – essa iniciativa, se for vingar, só vai
alimentar o preconceito.
Em tempos de manifestações constantes, o assunto acima já serviu de pauta. Precisamos ficar atentos o tempo
todo a respeito de pessoas que não sabem ser moderadas com algum bom senso e
humanidade e não pretendem preservar o que é “diferente”. Radicais tendem a
eliminar a liberdade coletiva e a fomentar conflitos perigosos em defesa de
suas ideias. Em última análise, acho importante (ou prudente) que mesmo o fiel
não seja um simples receptáculo vazio de ensinamentos e crenças tornando-se uma
marionete em mãos “sagradas” sem fazer uso de consciência, livre raciocínio e análise crítica.
Até mesmo o Pinóquio procurava
fugir de sua natureza artificial e inanimada...
