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27 de junho de 2013

Liberação sexual feminina sem libertinagem e condenação prévia



Parece coisa de fofoca, mas recentemente a atriz global Mariana Ruy Barbosa fez a seguinte declaração: “não adianta querer um príncipe se você não é uma princesa. É muito difícil uma mulher rodada encontrar um cara legal. Só vai encontrar sapo”. Bem, primeiro devo dizer que a Mariana tem todo o direito de ter essa opinião politicamente e historicamente “correta” a respeito das mulheres em geral. Mas agora irei questionar a ideia adorável de que apenas mulheres virgens e puritanas tenham mais chances de serem felizes no contexto conjugal.

Logicamente, ser “rodada” sugere um avaliação bastante subjetiva a respeito do número de parceiros de que uma garota deva ter para adotar esse infame título, mas vamos simplificar as coisas: preservar-se para um homem é a melhor e mais sábia “estratégia”? Ao meu ver, é tolice supervalorizar a virgindade feminina no sentido de ver isso como uma garantia de que o futuro amoroso será positivo. Um “investimento” a longo prazo. É lógico que cada garota faz do seu corpo o que bem entender, mas tenho certeza de que a maioria das mulheres sexualmente experientes possuem critérios para julgar se devem ou não transar com determinado homem. Não estou falando de aspectos “práticos” envolvendo meramente uma vagina lubrificada ou a oportunidade de fazê-lo, mas sim de crer que uma mulher do século XXI possui capacidade e autonomia de desfrutar de uma vida sexual ativa sem ter sua reputação prejudicada. Pior, sem ser julgada por outros segmentos da sociedade que defendem tradições como só perder a virgindade na noite de núpcias.

Não me entenda mal. É lógico que cada mocinha deve viver sua vida íntima conforme sua própria “filosofia” (especialmente se sentir feliz com ela), mas acho interessante notar que haja tanta diferença prática entre os sexos. Até mesmo se considerar a educação familiar entre as meninas, geralmente é comum observar uma semente de repressão sexual sendo plantada no coração da guria com “bons” pretextos. Não importa quantos séculos passem, parece vigorar uma ditadura machista (e religiosa, histórica, sociológica) de que a castidade feminina é o caminho mais belo e “correto” de se viver dentro da sociedade. 

Será que, mesmo a despeito dos pesares e dos maus exemplos, as meninas não deveriam se sentir mais tranquilas com sua própria vida sexual sem se sentirem molestadas pela censura alheia ou mesmo sua própria consciência (geralmente construída por fortes influências externas nesse quesito)? Pode-se argumentar que hoje tecnicamente qualquer garota conquistou sua liberdade sexual, mas com exceção do livre arbítrio individual, será que existe realmente uma visão “democrática” a respeito dessa conquista chamada liberdade sexual entre as moças?

  
Ora, a liberdade não precisa ser um sinônimo de libertinagem, devassidão e tantas outras denominações vulgares. Não estou dizendo que isso não exista, mas sim que é tolice ser taxativo em julgar as mulheres pelo simples fato de terem vida sexual ativa. Cheguei a ler em fóruns sobre o assunto e fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que defenderam um estilo de vida mais “puro” entre as meninas. Os homens, então, geralmente aplaudiam de pé essa resolução sem olhar para o próprio umbigo, privilegiando séculos de uma educação machista e antiquada (minha opinião). Claro, certamente as pessoas não devem mensurar um meio termo: a mocinha só pode ser uma santa angelical ou uma vadia desavergonhada. 

Ainda assim, é interessante notar que mesmo as mulheres de “hoje” continuem insistindo em assumir o caráter “proibitivo” do sexo. Será que adotar essa visão não é uma forma também de subestimar a própria mulher em matéria de seu “bom senso” sexual? Algumas pessoas podem argumentar que manter a virgindade é uma forma de não se envolver com cafajestes ou pilantras – entregando o ouro ao “bandido” – mas me parece que essa é apenas uma forma de apostar perigosamente no homem que será seu futuro marido, enquanto a jovem se priva de viver diferentes e produtivas experiências de cunho sexual no decorrer de suas relações amorosas.

Já conversei com algumas mulheres que se preservaram para o casamento e, anos depois, se arrependeram de adotar essa “estratégia” de manter a virgindade até o leito nupcial. Certamente existem os exemplos contrários também, eu sei. Mas o que se vê a partir desses relatos é que seguir o “script” não exclui seus riscos. Se pararmos para pensar, uma mulher mais experiente na cama teve muito mais chance de conhecer diferentes homens na intimidade e assim fazer uma “pesquisa” mais aprofundada do cara certo para si, embora isso não se restrinja ao sexo, naturalmente. Ainda assim, isso oferece ainda mais "vivência" e oportunidade de amadurecimento às moças.

Portanto, a ideia de ter critérios sólidos para dividir os lençóis com alguém parece ser uma forma excelente de evitar “quebrar a cara” sem sufocar a própria sexualidade. Eu mesmo percebo, pelo menos em garotas com certo nível de instrução e educação, que ser livre para transar não significa que elas não se questionem se “esse é o momento adequado”, “se esse cara é merecedor” e assim por diante. Logo, não falta consciência e análise crítica a respeito de tais decisões.

Fora essas questões, encontrar uma pessoa legal para si sugere sorte e perseverança. Adotar bons critérios vai ajudar a filtrar as pessoas que passarem em sua vida. Daí a importância de namorar mais e não colocar suas esperanças românticas virginais no colo do “futuro noivo”, pois este é um processo de autoconhecimento, de descobertas e de “sintonia”. Infelizmente, o hímen não conta com um radar próprio para “príncipes”. Talvez o cérebro e o coração tenham mais mérito nesse caso. Eu fico pensando, aliás, se certas ideias apenas favorecem um casamento precoce pelas razões erradas...