Esse meu tio estava internado,
sofria e padecia de problemas com o coração. Nesse sentido, foi melhor que ele
tenha descansado. Soube que ele faleceu na madrugada de ontem nos braços de
minha tia enquanto ela dava suporte e fazia companhia ao marido. Até comentei
com minha mãe que era uma benção poder morrer nos braços de quem se ama. E é
verdade. Espero poder não estar sozinho ou solitário quando chegar a minha
hora, por mais que esse possa ser um pensamento mórbido a princípio.
O que achava mais marcante na
personalidade de meu tio era sua risada (única) e a capacidade de zoar qualquer
um. Ele sabia ficar furioso, conversar sério, resmungar ou protestar contra
algo, mas seu bom humor sem dúvida era mais contagiante. E convenhamos, todas
as famílias têm os seus problemas, defeitos e limitações, mas ele tinha motivos
para se orgulhar do clã que possuía... e viu crescer, tendo até netos.
A ocasião serviu também para
reforçar a consciência de nossa mortalidade e fazer refletir sobre o fato de
lidar com a morte... em especial, com a ausência física permanente de alguém
querido. Eu não estou preparado. Acho que não tenho nem estrutura para
enfrentar, por exemplo, o falecimento de minha mãe. Acho que sou fraco e
imaturo. Meu Deus, eu não consigo imaginar minha reação em tal ocasião, mas
acho que só seria uma ruína humana de lágrimas. E mesmo assim, sou capaz de desvalorizar sua presença através da raiva, mau humor ou outros sentimentos negativos. Vergonhoso, imperfeito.
Mais uma vez, a vida se encarrega
de demonstrar sua importância através de sua limitação. Não somos eternos.
Gostaria de ter mais tempo para viver e aproveitar a companhia de quem me é
importante... e isso pode ser tão egoísta! Mas francamente, não preciso ser
idoso para perceber como o tempo passa rápido... e nem sempre da maneira como
gostaríamos.
Hoje o dia amanheceu mais triste.
