11 de abril de 2013

Vida frágil

Ontem compareci ao enterro de um querido tio meu e, como é de se esperar, foi uma ocasião triste e melancólica. Até mesmo o tempo favoreceu isso, pois a tarde estava nublada e chovia. Mesmo sendo os parentes mais próximos (minha tia, duas primas e um primo), já fazia vários anos que não havia aquele contato mais frequente e estreito entre a gente... pelo menos, de minha parte, ainda que seja a irmã mais próxima de minha mãe. Dois desses primos participaram mais de minha juventude (em especial, minha infância e aborrescência) e sinto um certo carinho por eles fomentado pelas lembranças, mesmo que nossos “caminhos” ou estilos de vida hoje sejam tão diferentes. Ainda assim, foi impossível deixar de se emocionar ao ver aquele ambiente de funeral na capela... o corpo de meu tio repousando no caixão... sua família e amigos ao redor. Senti um nó na garganta e foi difícil lutar contra as lágrimas, mas estava ali para confortar outras pessoas... estar presente em um momento difícil. Curiosamente, quando abracei minha prima mais nova de 16 anos, com quem não tinha muita intimidade, foi o momento mais comovente, pois senti um abraço mais duradouro e maior comoção entre a gente. Eu mesmo aproveitei o momento para aliviar o coração. Foi bonito e triste.

Esse meu tio estava internado, sofria e padecia de problemas com o coração. Nesse sentido, foi melhor que ele tenha descansado. Soube que ele faleceu na madrugada de ontem nos braços de minha tia enquanto ela dava suporte e fazia companhia ao marido. Até comentei com minha mãe que era uma benção poder morrer nos braços de quem se ama. E é verdade. Espero poder não estar sozinho ou solitário quando chegar a minha hora, por mais que esse possa ser um pensamento mórbido a princípio. 


O que achava mais marcante na personalidade de meu tio era sua risada (única) e a capacidade de zoar qualquer um. Ele sabia ficar furioso, conversar sério, resmungar ou protestar contra algo, mas seu bom humor sem dúvida era mais contagiante. E convenhamos, todas as famílias têm os seus problemas, defeitos e limitações, mas ele tinha motivos para se orgulhar do clã que possuía... e viu crescer, tendo até netos.

A ocasião serviu também para reforçar a consciência de nossa mortalidade e fazer refletir sobre o fato de lidar com a morte... em especial, com a ausência física permanente de alguém querido. Eu não estou preparado. Acho que não tenho nem estrutura para enfrentar, por exemplo, o falecimento de minha mãe. Acho que sou fraco e imaturo. Meu Deus, eu não consigo imaginar minha reação em tal ocasião, mas acho que só seria uma ruína humana de lágrimas. E mesmo assim, sou capaz de desvalorizar sua presença através da raiva, mau humor ou outros sentimentos negativos. Vergonhoso, imperfeito.

Mais uma vez, a vida se encarrega de demonstrar sua importância através de sua limitação. Não somos eternos. Gostaria de ter mais tempo para viver e aproveitar a companhia de quem me é importante... e isso pode ser tão egoísta! Mas francamente, não preciso ser idoso para perceber como o tempo passa rápido... e nem sempre da maneira como gostaríamos.

Hoje o dia amanheceu mais triste.

2 comentários:

  1. Poxa Bis, lamento muito pela perda do seu tio. Se ele padecia com os sintomas do problema de coração e não havia mais nada que a Medicina pudesse lhe auxiliar, também concordo que o descanso tenha sido melhor para ele... embora eu ainda pense que neste mundo, tudo tenha suas devidas soluções. E também este não é o meu modo comodista de avaliar os casos.

    A morte de entes queridos é algo que requer preparo psicológico da nossa parte, embora isto seja algo nada fácil de se aceitar a primeiro instante. E também tenho o mesmo temor que o teu, do temor da perda de um ente querido, como a da minha mãe. Imagine no meu caso Bis, sou filha única, a única mais próxima a mim, é a minha mãe...e meu pai ausente... é foda. Parentes para mim, sejam da família materna quanto a paterna (sobretudo os da família do meu pai), para mim é como se fosse algo inexistente, sempre fui afastada e até hoje já não faço questão, pouco me importa se eles existem ou não. E o pior é quando parentes vivem menos de 200m da sua casa e mesmo assim, eles são como nossos inimigos. E aí, você pode contar com eles? Se um dia eu ficar sozinha, será como eu viver dentro de uma arena aberta, cercada de inimigos.

    Por isso Bis, penso que toda relação familiar é importante, seja entre primos, tios.. enfim, que tudo seja de maneira intensa, amistosa. Se você tem uma relação amistosa com seus irmãos, primos, tios, te garanto que você saberá enfrentar o que é inesperado pelas leis da natureza. Você terá alguém que possa te confortar.

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  2. Oi, Mary. Agradeço a participação mais do que especial e porque não dizer... a própria solidariedade e compreensão. =)Mas o caso de meu tio necessitava de um milagre mesmo. As coisas já não iam bem há um tempo considerável... entre altas e internações.

    Pois é... o modo como vivenciamos as relações humanas define bem nosso próprio "suporte" contra as intempéries da vida. Pelo menos no aspecto de pai ausente, passamos pela mesma experiência. Entendo as circunstâncias e espero que sua mãe dure bastante. No final das contas, ainda poderá contar com um aliado: eu. (risos) A gente constrói um castelo em volta de sua casa com um belo portão maciço, um fosso largo ao redor, prepara uns caldeirões ferventes para as muralhas e torres, contrata alguns arqueiros e besteiros... e quero ver quem se mete à besta.

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