7 de maio de 2013

Amarga estupidez romântica



Qual é o limite entre o dito amor ou paixão (em alguns casos, é obsessão mesmo) e o bom senso, justiça e equilíbrio? Falo isso porque vejo diversos casos – geralmente envolvendo mulheres – que parecem relevar e perdoar praticamente tudo em nome do fato de gostarem da pessoa. Parece que dependendo do “alvo” do Cupido, o indivíduo só passa a enxergar sua musa idolatrada... ou vice-versa.  Alguns passa a entender dramaticamente que a felicidade só existe ou é possível ao lado daquela pessoa e, uma vez terminado o relacionado (bate na madeira), só haverá solidão, tristeza, desespero e arrependimento eternos. Aliás, muitos jovens em seus primeiros namoros tendem a sofrer desses sintomas fatalistas. Não posso deixar de mencionar também os sentimentos platônicos, nos quais você se sente “preso” a alguém que está “livre”. Certas situações chegam a ser patéticas e não faltam exemplos.

Ainda assim, focarei o conteúdo desse artigo nas dinâmicas destrutivas das relações que insistem em continuar "funcionando". A avaliação de certos relacionamentos sob um olhar externo e imparcial pode ser alarmante, pois mesmo você enxergando uma porção de coisas erradas, a vítima de sua estupidez romântica insiste em manter o vínculo ao custo de sua autopreservação, valores, moral, dignidade, amor próprio e assim por diante. E pior: algumas dentre essas pessoas até devem se orgulhar de buscarem sua felicidade ilusória ou passageira enquanto aos poucos vão arruinando sua integridade emocional e afetiva. Percebe-se que muitos corações idiotas e teimosos insistem em se autoflagelar... em nome do amor.

  
No que diz respeito ao senso comum, sem generalizar, a maioria das pessoas sabem o que é intolerável ou imperdoável dentro de um relacionamento amoroso. Falando-se em bom português, isso sugere que o cônjuge tem de fazer muita merda para chegar ao término. Mas existem pessoas que desafiam qualquer patamar ético ou moral para continuarem estar junto de quem desejam ou “amam”, mesmo que a reciprocidade seja bem diferente. Nesses casos, o sentimento parece ser uma “droga” na qual a pessoa se vicia e muito dificilmente está disposta a largar a dependência. É triste, pois além de haver o prejuízo pessoal óbvio, a pobre criatura poderia investir seu tempo em outras pessoas ou até mesmo em si mesma. É aquela velha história de ser melhor estar só do que mal acompanhada.

É interessante notar que quando as coisas passam de certos limites (geralmente extraordinários), é comum a pessoa buscar forças, conselhos e ajuda externa para se livrar de seu amor doentio. Lamentável é pensar que muitas pessoas poderiam ser poupadas de maiores danos se soubessem utilizar mais a razão e o bom senso de vez em quando. Se pudessem compreender que, na minha opinião, o amor não precisa suportar tudo de olhos fechados. Se percebessem que às vezes a felicidade (ou o que se pensa que ela seja) não está unicamente localizada no que se sente hoje, mas o que pode perdurar de maneira saudável com outras pessoas se houvesse oportunidade para isso. Assim haveriam menos cabrestos sentimentais distribuídos à população.

Não me entendam mal. Não defendo a ideia de tudo ser tratado a “ferro e fogo” nem tampouco menosprezo o valor do romantismo sensato. Também sei que ao longo de minha história amorosa já passei por poucas e boas; nem de longe sou imune a diversas “ciladas” que citei aqui, mas acho que as mesmas experiências pelas quais passei serviram de aprendizado, amadurecimento e autoconhecimento. Mesmo assim, é possível que esse texto favoreça uma reflexão construtiva ou até o "despertar" de algumas pessoas que estão sofrendo e se negam a tomar alguma atitude. Quem sabe?

Sei que um sentimento é capaz de ser compreensivo e tolerante com muita coisa, mas acho importante saber avaliar o que uma relação realmente é capaz de te trazer de bom (colocando sensatamente as coisas na balança sem toldar sua avaliação pela emoção) e se é válido permanecer com um alguém que desperta tantas lágrimas em ti... ou que está junto de você por razões erradas ou mundanas.

Um sentimento não deve servir de justificativa para viver em detrimento de si mesmo.

3 comentários:

  1. Pois é Bis, situações que possam envolver sentimentos humanos, sobretudo no que se refere ao amor, não é algo que seja tão fácil, para nós. E realmente depende muito de cada ser humano, porque quando vc se refere ao equilíbrio, isso é totalmente dependente do psíquico, do psicológico entre outros inúmeros fatores que levam à uma pessoa a tomar atitudes que possam a não corresponder a realidade, principalmente nos casos mais violentos (embora vc não tenha mencionado esta situação no texto).

    (Mudando um pouco o assunto) Realmente, sentimentos são considerados como droga, cientificamente falando. Também li em outra fonte, a qual não me recordo, que quando estamos apaixonados, a substância liberada é a mesma de quando comemos chocolate, o que nos dá a sensação de bem-estar, assim o mesmo efeito para quem faz o uso das drogas.

    http://super.abril.com.br/cotidiano/quimica-paixao-446309.shtml

    De resto, apenas acrescento que, uma pessoa, que no caso, já é vivida e mesmo assim, não tem o autocontrole e segue a teimar insistentemente mesmo que o ex não corresponda mais, isso implica que, ela não tem amor e orgulho próprio, e certamente pode ser uma pessoa de baixa auto-estima. :/ Logicamente não estou dizendo que todas as pessoas de baixa auto-estima sejam insistentes em um relacionamento.

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  2. Salve, meu anime. Comentando... eu sei que o sentimento de natureza amorosa costuma justamente destruir nosso raciocínio, inteligência (risos) e bom senso, mas é por isso que é preciso ficar atento e ser observador. Acho que até que em muitos casos a pessoa precisaria encarar até o amor de maneira diferente (talvez, menos romântica, sonhadora e idealizada), pois é possível que ela se sujeite a quaisquer infortúnios de maneira cega e persistente em virtude de um conceito perigoso. Mas entendo... realmente pode ser complicado fazer o indivíduo "despertar" para a realidade.

    Quanto ao fato do sentimento ser uma droga, eu entendo o contexto químico (biológico) da questão, mas falo desse mesmo sentimento também contribuir para trazer prejuízos ao ser humano e isso continuar em um ciclo masoquista. E comer chocolate é bão demais. (risos)

    Detalhe: sentimentos, por mais belos e nobres que sejam, podem ser usados e manipulados por quem tiver segundos interesses nisso. Por meio do coração, a pessoa pode até ser tornar uma marionete nas mãos "adoradas" de quem ama.

    Por tudo isso, é recomendável a gente poder ficar de olhos abertos e ter consciência do que realmente se deseja para si.

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    1. Ah sim, entendi melhor o seu ponto de vista, obrigada pela resposta Bismarck. (:

      Se estes sentimentos, dependendo do tipo de pessoa e do caráter que ela possui, e ela faz deles para serem usados e manipulados, o mais correto é esquecer por completo. Se a pessoa ainda, por mais que seja um ato inconsciente em permanecer c/ aquele amado (a), é como eu falo... gosta de sofrer, é masoquista e não sabe se auto-valorizar.

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