18 de junho de 2013

O despertar de um gigante adormecido?

Recentemente temos observado diversas manifestações da população brasileira nos mais diferentes estados e até mesmo no exterior com diferentes (e válidas) motivações, como a defesa da diminuição de preços de passagens de transporte, o protesto contra o alto custo de vida, os custos exorbitantes de importantes eventos esportivos no país (canalizando muitos investimentos para outros setores menos prioritários e negligenciando a educação, a saúde, a segurança etc.) e assim por diante. Como acredito que ninguém acredita que o Brasil está nas condições ideais que zelam pela bem estar e a dignidade do seu povo, entendo que muitos devem apoiar essa causa.

Eu vejo isso com interesse e surpresa, pois fazia mais de duas décadas que não testemunhava tamanha revolução comportamental nos indivíduos. Talvez a última vez que um movimento assim tenha marcado o país seja retratado pelos “caras pintadas” no tempo do impeachment do Presidente Collor em 1992 (hoje um querido Senador eleito), na qual muitos jovens pintaram seus rostos com as cores da bandeira e pediam a saída do Presidente após a divulgação de diversos escândalos. Aliás, minto: há pouco mais de um mês atrás, parece que parte da população ficou um tanto desesperada com os boatos envolvendo o fim do Bolsa-Família e houve considerável pressa em buscar esse dinheirinho nas agências da CEF. Acho que nossa Presidenta ficou muito aflita pelas próximas eleições.

"This is Brazil, bitches!"  

Só sei que, desde então, excetuando reivindicações pontuais de certos segmentos (geralmente profissões sindicalizadas), parece que as pessoas estavam quietas e adormecidas. Assim, ao meu ver, conforme os anos se passaram, parecia que o padrão brasileiro de vivenciar a vida consistia em votar mal pelos seus representantes (sem generalizar, vamos lá) e depois se tornarem ovelhas domesticadas. Hoje parece que o silêncio e a indiferença pararam de ser adotadas. Não sei dizer se isso é um fenômeno absolutamente passageiro e voltaremos ao tempo do “torpor” em breve, mas acho admirável como é válido redescobrir um povo que tem consciência, como cidadão, que tem força e voz ativa para demonstrar sua insatisfação e buscar mudanças que beneficiem o Brasil.

Chega de pão e circo. Confiar apenas no voto é tolice. Viver em uma democracia sugere que o povo possa saber lutar por uma causa válida e justa. Dificilmente as coisas “acontecem” sem haver mobilização e comprometimento com uma meta. Podemos utilizar uma visão crítica a respeito da realidade em busca de um amanhã diferente. Mesmo repudiando ações de agitadores, criminosos e “oportunistas” que podem conter abusos e vandalismo gratuito, talvez um pouco de “barulho” agilize esse processo de transformação.

Pessoalmente, não sou otimista ou tão “revolucionário” a ponto de pensar que o país irá se tornar um exemplo para outras nações alcançando uma utopia, mas mesmo em se tratando de gradativas melhorias a curto e médio prazo, é fascinante notar que um povo unido e engajado tenha o poder direto e indireto de se fazer ouvido e ser notado. Isso é uma lição que os nossos governantes e os segmentos mais privilegiados da sociedade preferem ver a gente esquecer.

Um comentário:

  1. Muito bom seu post Bis. Meu pensamento é o mesmo, porém acho que, somente o fato de terem acordado, já é um passo para que as mudanças possam ocorrer gradualmente. O maior problema do povo brasileiro, é que eles se animam no princípio... e conforme o tempo vai passando, acabam se acomodando.

    Veja o caso Collor... ele foi deposto do cargo de presidência na época.. mas bastou todos esquecerem, ele continuou seguindo a carreira política. :/

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