Um vídeo amador se tornou viral
nos Estados Unidos e no Canadá por causa de um estudante universitário que foi pedir
a opinião das pessoas a respeito da seguinte pergunta: homens e mulheres podem
ser apenas amigos? As diferenças entre as visões, ressaltadas pelos próprios
gêneros dos entrevistados, tornou tudo mais “interessante”. As meninas dizem
que isso é possível. Já os rapazes, respondem “não”, entre hesitações, preleções
e risadas. Bem, eu me pergunto: será que essas respostas masculinas não foram
influenciadas pelo temor à terrível síndrome da “friend zone”? (risos) Conforme
o vídeo avança, o rapaz provoca as mulheres, perguntando, por exemplo, se acha
que os amigos delas podem, secretamente, gostar das gurias. As mocinhas começam
a “dar o braço” a torcer e vemos que a resposta anterior “sim, claro” contém
ressalvas e histórias interessantes. O “repórter” também procura se aprofundar
em assuntos semelhantes com outras pessoas, desafiando esse conceito de haver “pura
amizade”. O vídeo em si é curto, mas divertido. Confira o vídeo aqui (em
inglês, sem tradução): http://www.youtube.com/watch?v=T_lh5fR4DMA
"Friend zone? Damn you!"
Embora o tema tenha tido uma abordagem
lúdica para ser postado no Youtube (o que certamente influenciou em sua
popularidade), ele adquiriu contornos científicos em três pesquisas que buscam
entender melhor as implicações das amizades entre indivíduos de sexos opostos.
Em resumo: na primeira pesquisa, os estudiosos definiram os quatro perfis mais
comuns de relações entre eles e elas; em outro
estudo, os pesquisadores concluíram que existe ao menos um pequeno nível de
atração da maioria das amizades intersexuais e na terceira pesquisa, foi
constatado que o sexo, para surpresa e alegria de muitos, pode fortalecer os
laços entre os amigos.
A seguir, a reportagem realiza
uma “revisão” histórica para retratar como funcionava essa amizade entre
pessoas de sexo opostos no passado. Segundo o ponto de vista histórico, esse
fenômeno é mais recente, surgindo depois da invenção da tevê em cores, em 1954.
Veja que interessante: até o século XIX, essa forma de amizade era considerada
um “mal degenerador”. Quem diz isso é Rosana Schwartz, pesquisadora de gênero
pela PUC de São Paulo e também pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Segundo
ela, ao utilizar argumentos religiosos e até mesmo científicos, os homens alimentavam
a crença de que as mulheres eram frágeis e estavam mais propensas a
comportamentos “questionáveis”; daí o cuidado de que sua convivência com outros
homens fosse restrita ao âmbito familiar. Assim, na época havia a mentalidade
de que a presença do homem iria subverter as pobres e ingênuas mocinhas a
cometer o último sacrilégio: o sexo fora do casamento. (risos) Puxa, acho que
já li essa história em algum lugar. Numa sociedade em que o círculo de amizades
masculinas girava em torno do pai, dos irmãos ou dos padres, qualquer amizade
fora desse padrão era bem difícil. Esse cenário foi mudando no período
Pós-Segunda Guerra Mundial, quando a mulher buscou seu espaço no mercado de
trabalho. Mesmo assim, segundo Rosana, a amizade intersexual só adquiriu mais
estabilidade por volta nos anos 70, pois até uma década antes os únicos amigos
homens que as mulheres tinham eram os amigos do seu marido. (!)
O texto prossegue alegando que,
mesmo depois de 40 anos, embora essa interação entre os sexos seja um fenômeno
muito mais comum, isso não exclui as complicações naturais nesse tipo de
relação onde é natural haver confusão entre os sentimentos e/ou intenções. Mas será que a atração
amorosa ou sexual estão sempre presentes em tais amizades? Ah, alguém aí está suando frio? (risos)
Uma equipe de professores da
Universidade de Wisconsin-Eau Claire, nos Estados Unidos, utilizou uma
amostragem com 400 adultos, com idades variáveis entre 18 e 52 anos, que mantinham
amizade com pessoas do sexo oposto. A maioria confessou sentir ao menos um
nível de atração por seu próprio amigo ou amiga, mas os homens tiveram
resultados mais expressivos ao demonstrar seu interesse e também em sua disposição
em marcar encontros amorosos com as amigas (o que talvez fosse previsível).
Em outro estudo, realizado pelo
mesmos pesquisadores, os 400 entrevistados receberam instruções de listar
os benefícios e malefícios das amizades intersexuais. A maioria considerou que
tal relação era positiva. Porém, foi constatado que a eventual atração sexual
era considerada uma vilã em sua própria vida. Justificativa: em virtude dela,
enfrentavam problemas em seus relacionamentos amorosos. Além disso, aceitar que
o companheiro amoroso tem um amigo do sexo oposto não é uma tarefa fácil para a
maioria das pessoas, segundo a psicóloga americana Lillian Rubin. Segundo ela,
os amigos, independente do gênero, existem para suprir lacunas que não são
preenchidas no casamento e dessa forma tornam o mesmo viável. Em virtude disso,
os amigos de sexo oposto do parceiro são considerados como uma ameaça. Uma
declaração interessante e polêmica, não? Ainda assim, mesmo a despeito de tais
riscos e da problemática atração sexual, as pessoas preferem investir em tais
amizades, pois se sentem mais realizadas com tal “diversidade” entre os gêneros.
Já a pesquisadora americana Heidi
Reeder, professora de comunicação da Boise State University, constatou que em
76% dos casos de “amizade colorida” apareceram relatos de que essa intimidade trouxe benefícios para a própria amizade.
Ela entrevistou 300 pessoas e 20% dos homens e mulheres afirmaram que tiveram
relações sexuais com pelo menos um amigo em algum momento da vida, o que surpreendeu
inclusive a própria pesquisadora. Segundo ela, esse resultado contesta a
ideia largamente difundida de que o sexo fora de um relacionamento romântico
causa prejuízo emocional e acaba com a amizade. Além disso, 50% dos
entrevistados iniciaram um namoro após conhecerem “melhor” o amigo. Vale
destacar que a pesquisadora também identificou os quatro tipos mais comuns de
amizade entre homens e mulheres (ver quadro no final da reportagem no último link) e outras descobertas interessantes. Eu procurei sintetizar aqui a parte que "justifica" o título dessa postagem.
Bem, minha gente, o texto
prossegue e, se querem vê-lo na íntegra, é só acessar o link. Existem exemplos verídicos
de casais em diferentes contextos (inclusive na friend zone), estudos, estatísticas e opiniões
profissionais. Uma boa reportagem. Como não quero escrever uma monografia, vou
parar por aqui. (risos)
Agora vou citar minha opinião. Entre sites que citaram parcialmente esses estudos e a conclusão de que o sexo pode reforçar o vínculo da amizade (baseando-se mais especificamente na pesquisa de Heidi Reeder), li opiniões perplexas e contrárias a essa prática, alegando que isso incitava até a promiscuidade e banalizava o sexo. Tudo bem. Mas eu vejo da seguinte forma: se um casal de amigos está solteiro e há desejo envolvido, pode aparecer a oportunidade de transarem se ambos quiserem isso. Isso não chega a ser lógico e natural? Por que isso precisa ser motivo, necessariamente, de vergonha ou repúdio? As pessoas têm uma visão negativa a respeito da liberdade, mesmo em se tratando de uma possibilidade. Acredito que isso não significaria que agora qualquer círculo de amigos teria o pretexto perfeito promover orgias sexuais ou estimular a promiscuidade indiscriminada. Adeus friend zone? (risos) Se pensar bem, o fator amizade até proporciona um contato e intimidade prévia que pode ajudar a aproximação espontânea. Devemos convir, inclusive, que é difícil imaginar o que vai ocorrer durante o “percurso” de uma “simples” amizade. O maior problema ocorre quando uma das partes alimenta expectativas ou sentimentos que não são compartilhados. É a falta de sintonia que gera os conflitos. Mas acho que as coisas podem ser promissoras dependendo da cabeça e da predisposição do casal.
Agora vou citar minha opinião. Entre sites que citaram parcialmente esses estudos e a conclusão de que o sexo pode reforçar o vínculo da amizade (baseando-se mais especificamente na pesquisa de Heidi Reeder), li opiniões perplexas e contrárias a essa prática, alegando que isso incitava até a promiscuidade e banalizava o sexo. Tudo bem. Mas eu vejo da seguinte forma: se um casal de amigos está solteiro e há desejo envolvido, pode aparecer a oportunidade de transarem se ambos quiserem isso. Isso não chega a ser lógico e natural? Por que isso precisa ser motivo, necessariamente, de vergonha ou repúdio? As pessoas têm uma visão negativa a respeito da liberdade, mesmo em se tratando de uma possibilidade. Acredito que isso não significaria que agora qualquer círculo de amigos teria o pretexto perfeito promover orgias sexuais ou estimular a promiscuidade indiscriminada. Adeus friend zone? (risos) Se pensar bem, o fator amizade até proporciona um contato e intimidade prévia que pode ajudar a aproximação espontânea. Devemos convir, inclusive, que é difícil imaginar o que vai ocorrer durante o “percurso” de uma “simples” amizade. O maior problema ocorre quando uma das partes alimenta expectativas ou sentimentos que não são compartilhados. É a falta de sintonia que gera os conflitos. Mas acho que as coisas podem ser promissoras dependendo da cabeça e da predisposição do casal.
Vale lembrar
também que existem casos e casos e não há nenhuma “regra universal” que sirva
para todas as pessoas, podendo inclusive haver casos em que o interesse
romântico e/ou sexual prejudica a amizade (o texto aborda essa possibilidade
também). Além disso, procurei focar no assunto que possivelmente mais atraiu a atenção dos leitores baseando-se em estudos. (risos) E chega.
Reportagem da revista Isto é:

Interessante isso. Eu sou muito suspeita para argumentar / comentar algo, até porque desde a minha adolescência até o final da minha graduação, tive pouquíssimas amizades masculina. Porém, admito que já cheguei a me apaixonar por 2 amigos.. só que, tanto um quanto outro, se tornaram gays depois. D: É cômico isso. rsrs
ResponderExcluirOi, meu anime. Acredito que é natural haver mais estímulo e facilidade em ter mais contato com pessoas do mesmo sexo no contexto social. Eu achei a reportagem sensacional, pois abordou diversos aspectos e estudos desse fenômeno. Mas é realmente interessante perceber que existem pessoas têm um círculo de amizade maior entre membros do sexo oposto.
ResponderExcluirEu já tive uma ex-namorada, por exemplo, que fazia o estilo "moleca" e teve uma infância/aborrescência mais agitada entre os meninos. Quando cresceu, notou que preferia a companhia dos homens e tinha mais amigos do que amigas.
Já eventuais casos de mudança de orientação sexual, é complicado prever o futuro, né? (risos)
Peço que, se possível, publique o post em sua página, já que ela tem um título suficientemente chamativo. (risos)
Pois é Bis, existem meninas que têm mais facilidade de terem amizades com os meninos. Porém, desde que comecei a ter mais contato c/ os games (de 2009 p/ cá), a maior parcela dos meus amigos atualmente são do sexo masculino, embora quase todos sejam de internet.
ResponderExcluirAh está publicado. Na verdade, foi uma falha do aplicativo (que sincroniza as publicações do Blogger ao Facebook) (: Toda vez tenho que entrar no site p/ ver se os dados não expiraram. -.-
Sim, é verdade, meu anime. E é natural haver essa mudança também após esse contato maior com games. (risos)
ResponderExcluirAh, obrigado.