Parece coisa de fofoca, mas
recentemente a atriz global Mariana Ruy Barbosa fez a seguinte declaração: “não
adianta querer um príncipe se você não é uma princesa. É muito difícil uma
mulher rodada encontrar um cara legal. Só vai encontrar sapo”. Bem, primeiro
devo dizer que a Mariana tem todo o direito de ter essa opinião politicamente e
historicamente “correta” a respeito das mulheres em geral. Mas agora irei
questionar a ideia adorável de que apenas mulheres virgens e puritanas tenham
mais chances de serem felizes no contexto conjugal.
Logicamente, ser “rodada” sugere
um avaliação bastante subjetiva a respeito do número de parceiros de que uma
garota deva ter para adotar esse infame título, mas vamos simplificar as
coisas: preservar-se para um homem é a melhor e mais sábia “estratégia”? Ao meu
ver, é tolice supervalorizar a virgindade feminina no sentido de ver isso como
uma garantia de que o futuro amoroso será positivo. Um “investimento” a longo
prazo. É lógico que cada garota faz do seu corpo o que bem entender, mas tenho
certeza de que a maioria das mulheres sexualmente experientes possuem critérios
para julgar se devem ou não transar com determinado homem. Não estou falando de
aspectos “práticos” envolvendo meramente uma vagina lubrificada ou a
oportunidade de fazê-lo, mas sim de crer que uma mulher do século XXI possui
capacidade e autonomia de desfrutar de uma vida sexual ativa sem ter sua
reputação prejudicada. Pior, sem ser julgada por outros segmentos da sociedade
que defendem tradições como só perder a virgindade na noite de núpcias.
Não me entenda mal. É lógico que
cada mocinha deve viver sua vida íntima conforme sua própria “filosofia”
(especialmente se sentir feliz com ela), mas acho interessante notar que haja
tanta diferença prática entre os sexos. Até mesmo se considerar a educação
familiar entre as meninas, geralmente é comum observar uma semente de repressão
sexual sendo plantada no coração da guria com “bons” pretextos. Não importa
quantos séculos passem, parece vigorar uma ditadura machista (e religiosa,
histórica, sociológica) de que a castidade feminina é o caminho mais belo e
“correto” de se viver dentro da sociedade.
Será que, mesmo a despeito dos
pesares e dos maus exemplos, as meninas não deveriam se sentir mais tranquilas
com sua própria vida sexual sem se sentirem molestadas pela censura alheia ou
mesmo sua própria consciência (geralmente construída por fortes influências externas nesse quesito)? Pode-se argumentar que hoje tecnicamente
qualquer garota conquistou sua liberdade sexual, mas com exceção do livre
arbítrio individual, será que existe realmente uma visão “democrática” a
respeito dessa conquista chamada liberdade sexual entre as moças?
Ora, a liberdade não precisa ser
um sinônimo de libertinagem, devassidão e tantas outras denominações vulgares.
Não estou dizendo que isso não exista, mas sim que é tolice ser taxativo em
julgar as mulheres pelo simples fato de terem vida sexual ativa. Cheguei a ler
em fóruns sobre o assunto e fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que
defenderam um estilo de vida mais “puro” entre as meninas. Os homens, então,
geralmente aplaudiam de pé essa resolução sem olhar para o próprio umbigo,
privilegiando séculos de uma educação machista e antiquada (minha opinião). Claro,
certamente as pessoas não devem mensurar um meio termo: a mocinha só pode ser
uma santa angelical ou uma vadia desavergonhada.
Ainda assim, é interessante notar que
mesmo as mulheres de “hoje” continuem insistindo em assumir o caráter “proibitivo”
do sexo. Será que adotar essa visão não é uma forma também de subestimar a
própria mulher em matéria de seu “bom senso” sexual? Algumas pessoas podem
argumentar que manter a virgindade é uma forma de não se envolver com
cafajestes ou pilantras – entregando o ouro ao “bandido” – mas me parece que
essa é apenas uma forma de apostar perigosamente no homem que será seu futuro marido, enquanto a
jovem se priva de viver diferentes e produtivas experiências de cunho sexual no
decorrer de suas relações amorosas.
Já conversei
com algumas mulheres que se preservaram para o casamento e, anos depois, se
arrependeram de adotar essa “estratégia” de manter a virgindade até o leito
nupcial. Certamente existem os exemplos contrários também, eu sei. Mas o que se
vê a partir desses relatos é que seguir o “script” não exclui seus riscos. Se
pararmos para pensar, uma mulher mais experiente na cama teve muito mais chance
de conhecer diferentes homens na intimidade e assim fazer uma “pesquisa” mais
aprofundada do cara certo para si, embora isso não se restrinja ao sexo, naturalmente. Ainda assim, isso oferece ainda mais "vivência" e oportunidade de amadurecimento às moças.
Portanto, a ideia de ter critérios sólidos para dividir os lençóis com alguém
parece ser uma forma excelente de evitar “quebrar a cara” sem sufocar a própria
sexualidade. Eu mesmo percebo, pelo menos em garotas com certo nível de
instrução e educação, que ser livre para transar não significa que elas não se
questionem se “esse é o momento adequado”, “se esse cara é merecedor” e assim
por diante. Logo, não falta consciência e análise crítica a respeito de tais
decisões.
Fora essas questões, encontrar uma pessoa legal para
si sugere sorte e perseverança. Adotar bons critérios vai ajudar a filtrar as
pessoas que passarem em sua vida. Daí a importância de namorar mais e não
colocar suas esperanças românticas virginais no colo do “futuro noivo”, pois
este é um processo de autoconhecimento, de descobertas e de “sintonia”.
Infelizmente, o hímen não conta com um radar próprio para “príncipes”. Talvez o
cérebro e o coração tenham mais mérito nesse caso. Eu fico pensando, aliás, se
certas ideias apenas favorecem um casamento precoce pelas razões erradas...







