19 de abril de 2013

Amor próximo à toda prova



Gostaria de colocar em pauta uma tese para discussão. Eu li em um livro de romance a seguinte frase: “Talvez temesse que aquele grandioso amor, que tinha resistido a tantas provações, não pudesse sobreviver à mais terrível de todas: a convivência.” No caso, a personagem se satisfazia com o fato de ver o seu amor em encontros frequentes (semanais) e escondidos (haviam razões para isso), mas se “acostumou” a viver sozinha com a família, embora ocasionalmente ela sentisse vontade de fugir com ele... e tais ideias se dissipavam rapidamente. Ela inclusive tinha uma filha com ele para reforçar seus laços. Mas veja o que a autora diz a respeito de se casar e como isso pode “desafiar” a força de qualquer amor. 


Sei que a maioria das pessoas românticas ou a favor do matrimônio de maneira tradicional provavelmente serão contra essa afirmativa. E até certo ponto, parece uma contradição pensar que viver perto de quem se ama seja uma motivação para ver o amor degenerar. No entanto, faça uma análise fria e racional dessa possibilidade: será que conviver constantemente próximo do amado ou amada (leia-se morar sob o mesmo teto) ajuda a “esfriar” o sentimento? Seria essa uma tendência mais comum, embora saibamos que existem casamentos que contrariam tal “regra”? Leia esse outro trecho do livro: “Blanca preferia esses encontros furtivos com o amante em hospedarias à rotina de uma vida em comum, ao cansaço de um casamento e ao pesadelo de envelhecer juntos, compartilhando as penúrias do final do mês, o mau cheiro da boca ao acordar, o tédio dos domingos e os achaques da idade”.

Logicamente, sei que ao iniciar uma união ou mesmo um relacionamento amoroso, é normal a gente idealizar as coisas e possivelmente fazer prognósticos favoráveis do que estamos vivenciando e sentindo. Podemos não ter bola de cristal, mas é fácil enxergar o futuro com olhos otimistas e generosos estando juntos quando as coisas vão bem e/ou quando estamos muito apaixonados. É aquela velha história de enxergar tudo como um mar de rosas e podemos ter boas razões para pensar assim. (risos) No entanto, será que o próprio casamento e a rotina inerente ao convívio funciona paradoxalmente como um mecanismo indireto para “destruir” e/ou enfraquecer sentimentos? Será que a “união estável” – civil ou religiosa – traz consigo um progressivo desgaste do que sentimos? Será possível que um certo distanciamento promovido pelo namoro, no qual geralmente os casais mantém certa independência cotidiana, ajuda a manter o encanto e a alimentar (ou preservar) o amor? Naturalmente, lembre-se de que o que está sendo mais questionado aqui são os efeitos da rotina e o convívio constante a longo prazo em circunstâncias amorosas. Dê sua opinião.

Um comentário:

  1. Eu acredito que a Paixão diminua.
    Mas o Amor, se as pessoas se gostam, só aumenta.

    Paixão é aquele fervo que da ao ver a outra pessoa.
    Ao passo que Amor é o quanto gostamos da outra pessoa.

    Num filme aqui da minha cidade, Alvorada, uma guria diz: "Depois de um tempo a Paixão acaba e vira Amor."
    Amor esse que faz as pessoas cruzarem os anos um ao lado do outro. Não é mais aquela Paixão boba de se querer cada vez mais, e sim algo mais concreto, o Amor.

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