Gostaria de colocar em pauta uma
tese para discussão. Eu li em um livro de romance a seguinte frase: “Talvez
temesse que aquele grandioso amor, que tinha resistido a tantas provações, não
pudesse sobreviver à mais terrível de todas: a convivência.” No caso, a
personagem se satisfazia com o fato de ver o seu amor em encontros frequentes (semanais)
e escondidos (haviam razões para isso), mas se “acostumou” a viver sozinha com
a família, embora ocasionalmente ela sentisse vontade de fugir com ele... e tais ideias se dissipavam rapidamente. Ela
inclusive tinha uma filha com ele para reforçar seus laços. Mas veja o que a
autora diz a respeito de se casar e como isso pode “desafiar” a força de
qualquer amor.
Sei que a maioria das pessoas românticas
ou a favor do matrimônio de maneira tradicional provavelmente serão contra essa
afirmativa. E até certo ponto, parece uma contradição pensar que viver perto de
quem se ama seja uma motivação para ver o amor degenerar. No entanto, faça uma
análise fria e racional dessa possibilidade: será que conviver constantemente próximo
do amado ou amada (leia-se morar sob o mesmo teto) ajuda a “esfriar” o sentimento?
Seria essa uma tendência mais comum, embora saibamos que existem casamentos que
contrariam tal “regra”? Leia esse outro trecho do livro: “Blanca preferia esses
encontros furtivos com o amante em hospedarias à rotina de uma vida em comum,
ao cansaço de um casamento e ao pesadelo de envelhecer juntos, compartilhando
as penúrias do final do mês, o mau cheiro da boca ao acordar, o tédio dos
domingos e os achaques da idade”.
Logicamente, sei que ao iniciar
uma união ou mesmo um relacionamento amoroso, é normal a gente idealizar as
coisas e possivelmente fazer prognósticos favoráveis do que estamos vivenciando
e sentindo. Podemos não ter bola de cristal, mas é fácil enxergar o futuro com
olhos otimistas e generosos estando juntos quando as coisas vão bem e/ou quando
estamos muito apaixonados. É aquela velha história de enxergar tudo como um mar de
rosas e podemos ter boas razões para pensar assim. (risos) No entanto, será que
o próprio casamento e a rotina inerente ao convívio funciona paradoxalmente
como um mecanismo indireto para “destruir” e/ou enfraquecer sentimentos? Será
que a “união estável” – civil ou religiosa – traz consigo um progressivo
desgaste do que sentimos? Será possível que um certo distanciamento promovido
pelo namoro, no qual geralmente os casais mantém certa independência cotidiana,
ajuda a manter o encanto e a alimentar (ou preservar) o amor? Naturalmente, lembre-se de que
o que está sendo mais questionado aqui são os efeitos da rotina e o convívio
constante a longo prazo em circunstâncias amorosas. Dê sua opinião.

Eu acredito que a Paixão diminua.
ResponderExcluirMas o Amor, se as pessoas se gostam, só aumenta.
Paixão é aquele fervo que da ao ver a outra pessoa.
Ao passo que Amor é o quanto gostamos da outra pessoa.
Num filme aqui da minha cidade, Alvorada, uma guria diz: "Depois de um tempo a Paixão acaba e vira Amor."
Amor esse que faz as pessoas cruzarem os anos um ao lado do outro. Não é mais aquela Paixão boba de se querer cada vez mais, e sim algo mais concreto, o Amor.